Celtic Woman

6 06UTC Novembro 06UTC 2009

 

Eu achei tão bonito que eu quis botar aqui, posso?

À la Sinatra

5 05UTC Novembro 05UTC 2009

Frank Sinatra nasceu em 12 de dezembro de 1915, descendente de italianos teve o seu nome várias vezes relacionado com a máfia,  também era ator e ganhou um Globo de Ouro e  um Oscar de ator coadjuvante pelo filme From Here To Eternity e fez filmes com Gene Kelly, Rita Hayworth e Elvis em seus bons dias.

Foi o primeiro Danny Ocean, de Ocean’s Eleven de 1960…  Posteriormente o papel passou para George Clooney e temos então Ocean’s Eleven de 2001.

Veja aqui o video de Frank Sinatra ganhando seu Oscar em 1954 ****

Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho na música e outra por seu trabalho na TV americana. É considerado um dos maiores intérpretes da música no século XX. Teve três filhos: Nancy SinatraFrank Sinatra Jr.Tina Sinatra.Foi casado com Nancy Barbato e posteriormente com as atrizes Ava Gardner e Mia Farrow, e com a socialite Barbara Marx, com quem terminou seus dias.

Mas eu quero falar do outro lado de Frank… O lado cantor. E não vou dizer, vou só mostrar.

The Voice, Blue Eyes, Frankie
The Voice, Blue Eyes, Frankie

Seus principais sucessos são “Fly me to the moon”, “My Way” e “New York, New York”. Sinatra também cantou com o brasileiro Tom Jobim. Na oportunidade, “Girl of Ipanema” brindou o grande encontro, porém na minha mais humilde opinião o melhor momento desse encontro foi esse… Change Partners

Lililililililili-lindo demais! Vou dançar isso no meu casamento…. aiai… MAS VOLTANDO..

Strangers In The NightKilling Me SoftlyI Won’t DanceI’ve Got You Under My Skin

E ouçam também The Way You Look Tonight que eu infelizmente não achei um video decente. :)

So, how are you, Blue Eyes?

**** O filme The Godfather (1972) explora a história, mostrando que na verdade o ator teria sido “convencido” pela máfia a desistir do papel, para que Frank Sinatra pudesse interpretá-lo em seu lugar, pois na época o cantor estava em baixa.

Depois eu vou postar um top-top.

Cya, guys

Dios mio, que mierda!

4 04UTC Novembro 04UTC 2009

Vou contar sobre o meu final de semana… Fui pra Ipuã e como sempre, não tem nada pra fazer lá, nada além de ficar sentado na sala da casa do meu avô conversando ou assistindo 49876513213 milhões de filmes de terror.

AAAH, medinha

Eu pensando que ia ter terror no negócio...

Pois bem, eu peguei o filme bem nessa parte dos palitinhos nos pratos… Então não sei o começo do filme, mas vou falar mais ou menos o que eu entendi… E eu não vou estragar o filme de ninguém, acreditem.

O chinês (qual deles? são tudo a mesma coisa, Maiza, ESPECIFÍCA) de azul claro comprou um livro e levou esses troxas seus amigos pra chamar espírito, sabe deus porque.

O que eu vou contar agora nem eu acreditei quando vi, mas vamos lá!

Eles tão lá batendo esses palitinhos nos pratos porque os espíritos tão com fome (??????) e tão chegando e chegando… Só essa cumade de amarelo que não vê os famintos… Só sei que um prato quebrou, depois quebrou outro e esse coitado de azul escuro e com o braço levantado começou a bater os palitinhos nos dentes  só pra continuar o barulho e pros espíritos continuarem vindo. ¬¬

Eu já teria levantado e corrido daí! MELHOR, eu nem tinha ido, morreu morreu, que fiquem eles vagando bem longe de mim!

Como se não fosse o suficiente, tem uma cena em que o mesmo coitado que fez um novo instrumento musical com seus dentinhos not é possuído e ele tá no meio de um corredor de um prédio… Não entendi como até agora, aparece um fulano lá com um amigo e os dois desafiam o possuído pra um duelo de dança… Agora imagina a situação, você tá sendo possuído e tem gente querendo fazer concurso de dança no meio de um corredor de prédio! O pior de tudo não é nem isso, mas sim o pessoal dos aptos que saem de seus lares pra ver esse espetáculo. Realmente, magnífico.    VEJA SÓ

Outra parte memorável dessa obra prima da sétima arte é quando a moça de verde passa barro na cara (?????) e os olhinhos (abre o zói, chinesa) saem do rosto e vão parar nas mãos dela, é tão mal feito, mas tão mal feito que é pior do que o sangue laranja da OBRA PRIMA (sem ironia dessa vez) que é The Godfather.

O cara de vermelho estava na floresta esperando o resto do pessoal o encontrar e estava muuuuitísssimo apertado para ir no banheiro… O que ele faz? Alivia-se no pé de uma árvore… E por acaso, tem um menino fantasma que é atingido… A cena mais assustadora do filme.

E não é só isso, queridos leitores!

Tem uma hora que o mesmo cara e a moça de amarelo vão para o mundo dos mortos (?????????) pra buscar num sei quem e os espíritos começam a se aproximar… Sabe que que eles fazem pra se defender? Soltam bafo. SIM! BAFO! Aquele negócio que você tem quando não escova os dentes (ou quando escova também, em alguns casos). E o mais inesquecível do filme, quando o bafo fica fraco o que eles fazem pra continuar se defendendo? Flatulências, queridos, flatulências.

E ainda tá lá na sinopse da SKY –  TERROR.

Nossa, morri de medo.  Eu tinha que dividir essa experiência ridícula com alguém. :D

Pelo menos agora eu sei como me defender de espíritos e afins, nénão?

POIS É! Nem o John que curte uma oriental gostou...

Nem o John que curte uma oriental gostou...

Faço minha a cara do John.

T-I-A-U

O futuro do Ponto Áton

4 04UTC Novembro 04UTC 2009


é muita maconha… DORGAS MANO, DORGAS

comparem com….
Phoebe Buffay

créditos a Grevi

agora comparem com….
Amandiaaaa

isso foi por mim mesmo

beijo,  te amo Alexandre.

e boa sorte

 

Festival

30 30UTC Outubro 30UTC 2009

os meninos ficaram contidos, mas foram bem… eu devia postar alguns videos mostrando eles rebolando, descendo e o caramba a quatro, mas… melhor não.

foi o que salvou essa semana.. dei muita risada.

oi, como vocês estão?

Top 10 – Musicais

28 28UTC Outubro 28UTC 2009

Não vou colocar em ordem do melhor pro pior, vou colocar os 10 que eu mais gosto.

1. Moulin Rouge

Dica: assista também El tango de roxanne, Elephant love medley, Come what may, The show must go on, Diamonds are the girl’s best friends, Your song e… melhor, assiste o filme inteiro que é perfeito. Paris, música, dança e cabaré. Tudo muito bom.

2. Grease

Dica: assista também There are worse things i can do, Hopeless devoted to you, Summer nights e Grease lightning.

3. Chicago

Dica: Assista também Mister Celophane, All that jazz, They both reached for the gun, Roxie e Can’t do it alone. Além do número final que eu não achei o nome.

4. The Phantom Of The Opera

Dica: assista também The point of no return e Think of me, além da musica tema, The Phantom of the opera.
Versões com Sarah Brightman são altamente recomendáveis, até porque o musical foi inspirado nela. Versões brasileiras são ótimas também, eu assisti e recomendo.

5. Singing In The Rain

Dica: Assista também Good morning, good morning e Make them laugh.

6. The Sound Of The Music

Não achei o video do filme, mas a fotografia é muito bonita. Alpes Austríacos e tal.

Dica:Assista também (se achar) Dó-ré-mi e Sixteen going on seventeen. A How to solve a problem like Maria, é querida minha também.

7. Across the Universe

Beatles e filme, bom, não vou dizer que eu reviro o olho só de pensar. Só não tá no top 5 porque a história em si é bem fraquinha, porém as musicas e as performances são o que salva o filme.

Dica: Assista também Come together, Something, All we need is love, Because, It won’t be long, While my guitar gently weeps, Across the universe, Hapiness is a warm gun, I am the walrus (é com o Bono Vox, eu gostei), Strawberry fields, Hold me tight, All my loving (adoro essa versão, adoro essa música na verdade), With a little help from my friends, Let it be (MUUUITO BOA ESSA VERSÃO, PUTAQUEOPARIU), Revolution (a dos Beatles é melhor, mas eu gosto dessa também) e Hey Jude. De video interessante I want you (she’s so heavy) e Being the benefit of Mr. Kite! valem a pena assistir.

8. Connie & Carla

História fofa, adorei. Essa parte é poderosa. Principalmente a hora do “is she singing? yes, he is” :D

9. Cats

Dica: Assista também The Rum Tum Tugger, The Jellicle cats, Mungojerrie and Rumpelteazer, Mr. Mistoffelees, The naming of cats (muito bom, é unissono) e Old Deuternonomy.

10. Mamma Mia!

Dica: Assista também Mamma mia!, Dancing queen, Does your mother know, Gimme Gimme Gimme! (a man after midnight), Honey Honey, S.O.S. e Voulez-vous.

http://www.youtube.com/watch?v=IFabjc6mFk4&feature=related

Fred Astaire é bom também! (Nunca vi um filme dele :( )

Assim como West Side Story (tirando o belíssimo sotaque falsificado da Maria – Natalie Wood) e The Wizard Of Oz. ;)

Próximos na fila para assistir são: (clique em cima do nome pra ver uma amostra do filme)

- RentDreamgirlsJesus Cristo SuperstarSweeney ToddNineHairHairsprayMy Fair Lady

Por hora é só garotos, cya

JÁ SABEM, SE DER ERRADO, CLICAR DUAS VEZES EM CIMA DO ITEM DO VIDEO E ASSISTIR PELO YOUTUBE.

Regressão

26 26UTC Outubro 26UTC 2009

Sorte tem quem consegue escrever quando está feliz.
No andar da minha vida,
meus momentos de felicidade não são inspiradores.

Costumo comparar as pessoas a classes literárias,
eu costumava me classificar como Realista.
Analísta, objetivo, racional.

Porém, meus queridos leitores,
me descubro mais próxima a Álvares de Azevedo
do que a Machado de Assis.
Spleen-ada, tédio de viver, nostalgica.

C’est la vie.

A hora do banho é sempre a mais difícil

26 26UTC Outubro 26UTC 2009

Ela ligou o chuveiro e dois segundos depois ela estava encostada na parede chorando baixo, chiando.
Ela fazia sons de um animal ferido, um grito baixo e agudo, abafado. Encostou-se na parede e murmurou exatamente o que tinha dito da outra vez que se sentira assim, “Estou cansada de lutar sozinha”. Ela passava a mão na parede, entre as fendas do azuleijo, de repente ela tentava abrir a parede, sair dali… Deu socos fracos e vencidos depois disso, encostou a testa na parede, soluçava, sentia-se mal, procurava abrigo. Já tivera abrigo na verdade, o conselho havia sido “tome um banho longo”, ela entendeu que era pra se acabar no banho, foi o que fez pois ali estava sozinha e podia chorar à vontade.
Algumas vezes o choro cerrava e aí os soluços voltavam e a faziam soltar gordas lágrimas novamente. Outras vezes, as gotas do chuveiro entreaberto caiam nas bochechas e principalmente no nariz, era uma espécie de consolo, de carinho para se acalmar, sempre as deixam cair pelo rosto e se perder a partir do pescoço. Muitas vezes, porém, batiam na porta, a razão batia na porta e poucas dessas vezes a importunava, mas as emoções foram mais fortes, nunca atendeu a porta.
Enxugou-se, ensaiou alguns sorrisos no espelho, não eram os melhores que podia fazer, mas serviriam. Abriu a porta e encontrou as pessoas que esperavam todo o tipo de coisa dela olhando e esperando e ela estava ali em pé e completamente nua de sentimentos.

Uma tarde de sábado

24 24UTC Outubro 24UTC 2009

Ela saia da loja de conveniência com a amiga, sacolas pesadas e um sorriso largo e cheio de dentes. Elas riam, talvez do rapaz do caixa ou de alguma piada particular das duas, amigos normalmente não precisam de grandes razões para rir. Ela colocou as sacolas no banco traseiro do carro enquanto a amiga ia até o lugar do passageiro e mexia na bolsa verde musgo, fechou a porta e levantou a cabeça, foi exatamente nesse momento que o viu. Foi só então que o riso dela cerrou, uma expressão de seriedade e surpresa se formou.
Ele estava sozinho, andava olhando a carteira, bem do jeito dele, passos largos, lentos e despreocupados, algo bem charmoso em todo aquele conjunto. A amiga olhou pra ela ao perceber que ria sozinha, viu sua expressão aflita, não entendeu, então seguiu o seu olhar e também o viu, voltou a observá-la e em seguida abriu seu campo de visão para toda a situação, sem dizer nada, não era hora de quem estava de fora dizer nada. Era esse um dos motivos para aquela amizade de anos, cada uma admirava a discrição e o bom senso da outra.
A amiga a viu respirar fundo, tremer um pouco, sentiu seu nervosismo, seu medo, sabia bem o que ela estava pensando. Continuava em silêncio e só olhava pra ele, angustiada, imaginava se poderia sair daquele lugar sem ser vista por ele, se podia evitar que toda aquela sensação ficasse ainda maior e pior, mas era tarde demais.
Ele guardou a carteira e olhou pra frente, o que viu não era o que esperava. Esperava ver o caminho livre até a porta da conveniência, mas o carro prata com uma moça de cabelos castanhos estava entre os dois. Ele diminuiu ainda mais o passo, quase parando, se encararam, criou-se uma atmosfera tensa.
A seguir o que aconteceu foi como um filme, partes de um passado não muito distante inundaram a cabeça dos dois e o encontro inusitado passou para o papel de começo, como o apagar de luzes em um cinema ou o aperto do gatilho de uma arma. Tudo sumiu, os carros, o posto, a amiga, a loja, a rua, só existiam os dois iluminados por uma luz que ninguém sabia da onde vinha, se encarando e sentindo a mesma mistura de medo, tristeza e a sensação de não saber o que fazer. Os sons foram diminuindo, a respiração de ambos ficou mais forte.
Era estranho, ela nunca havia se sentido assim, ele também não compartilhava dessa experiência, sempre foram pessoas muito objetivas em relação a sentimentos, sempre usaram da razão com um abuso impróprio… Mas não agiam assim em relação a eles, não desde o primeiro olhar, primeiro sorriso ou primeiro beijo. Perderam a racionalidade em relação ao outro, algo que não se consegue explicar, passaram a ser impulsivos e foram felizes assim, mas em algum ponto a impulsividade acabou com tudo o que haviam feito, uma prova que um relacionamento precisa de um equilíbrio.
O escuro foi substituido imagens que se formavam.
Primeira imagem foi mostrada uma lembrança dela…
Ela estava sentada na cama, com as pernas cruzadas e cabeça baixa, ele tinha acabado de sair e ela sabia que não o veria tão cedo e que já não tinha mais volta. Apesar de não chorar, o rosto vermelho de raiva não se opunha sobre a expressão triste. Estava anestesiada. Foi então que Capitu pulou na cama, se posicionou em frente a ela e pois os olhos em seu rosto, o que aconteceu enquanto o rabo batia com força no colchão, foi que aqueles olhinhos azuis indagavam “ Não vai fazer nada? Só vai deixar ele ir embora? ”. Não houve reação a isso, Capitu esperou algum tempo para ter alguma resposta que a satisfizesse, mas a dona não conseguiu fazer nada além de olhar confusa para ela. Enfim a gata se cansou, deitou-se no lugar do dono e deu lhe as costas, bem como havia acontecido noites passadas, mas era quem costumava dormir ali que havia feito isso, depois disso finalmente ela chorou.
Depois foi a vez dele.
Ele estava deitado numa cama de lençóis amarelos e florido de uma casa do centro, a mulher que estava ao seu lado vestia só o sutiã e a maquiagem estava borrada. Fazia um tempo que ele estava solteiro, mas era a primeira noite que ele saia de casa depois que ele voltara a viver sozinho, primeira noite dele com uma mulher que não fosse ela. Ele não dormiu, a verdade era que não tinha sido uma grande performance, a senhorita a seu lado estava muito bêbada pra qualquer coisa. A madrugada era fresca, ele levantou da cama e botou somente a calça, foi difícil achar no meio da bagunça e do escuro… Sentou-se na cama e colocou a mão na cabeça, puxando os cabelos. Desejou imensamente ir embora dali, mas ir pra onde? Murmurou “O que eu estou fazendo? Eu quero ir pra casa…”, pegou o celular e olhou fixamente para um número específico por alguns instantes, desistiu por fim.
O escuro voltou por um segundo, só havia os dois de novo, iluminados pela luz que ninguém sabia de onde vinha, sem som nenhum além da respiração pesada, se encarando angustiados. Antes que fosse possível pensar em alguma coisa, um turbilhão de flashes de outras imagens que mostravam os momentos em que eles queriam estar juntos, deixar o orgulho de lado invadiu o espaço tão íntimo e foi eletrizantemente frenético. Momentos felizes ou triste, momentos importantes ou não.
Aos poucos as imagens pararam e o mundo voltou a aparecer, surgiu tudo o que estava lá e que eles haviam excluído daquele momento, os carros, o posto, a amiga, a loja, a rua. Os sons também voltaram, o casal que passava rindo, o frentista que conversava com o dono do carro que atendia, carros na rua.
A essa altura, nenhum dos dois percebeu, mas estavam próximos, muito próximos. A amiga continuava a observar a situação, sem entender a aproximação repentina e inexplicável dos dois, ela deve ter se esquecido o quão irracional eles ficavam um perto do outro. Entretanto amar não era algo absoluto naquele momento, também se odiavam, por tudo que tinham passado e pelo motivo de estarem separados, as pessoas se ferem e às vezes, é dificil de superar, quanto maior o amor, maior a decepção que se pode ter… Encaravam-se ferozmente. Ela deu um passo para trás, abaixou a cabeça, ele fez o mesmo, se olharam novamente, se analisando e refletindo e então ela estendeu a mão sugestivamente. A amiga fez várias interpretações do ato.

Comenta se entender alguma coisa

24 24UTC Outubro 24UTC 2009

Queria poder dizer tudo exatamente como está agora, mas não estou tão expressiva assim. Ódio. Raiva. Decepção.
Quantos pensamentos e sentimentos constantes pra uma mesma pessoa e eu não consigo dizer nada. Não são sentimentos nobres, eu penso, mas são sentimentos e eu estou sentindo, eu mesma me rebato. Isso vai sair desconexo, até porque eu não estou pensando para escrever isso. Quando eu penso tudo sai muito direito, muito certo, nunca o melhor, nunca o que eu quero. Eu fiz o que eu quis algumas vezes, merda, nem todas foram o que eu queria mesmo, eu acho, quer dizer no momento eu queria, mas eu não me permito viver certas coisa e na parte do não me permito é que eu começo a pensar e que tudo sai muito direito, muito certo e muito respeitoso.
Queria poder não ter que deixar ninguém orgulhoso, pouca gente me deixa orgulhosa e ninguém pensa em mim nessas horas, são acasos que acontecem e que o resultado é bom pra todo mundo. Acho que perdi minha capacidade de falar o que eu queria com as palavras certas que expressavam exatamente o que eu queria dizer, eu sentia orgulho disso, sempre que eu sinto orgulho de mim por alguma coisa, eu destruo essa coisa.
O que me deixa com raiva é não poder ser uma pessoa sem problemas, desencanada da vida, que faz o que bem entender sem ficar pensando horas, dias, meses, anos antes de fazer, porque é exatamente isso que eu faço, eu penso demais! Caramba, eu tenho dezesseis anos e tenho que agir como uma mulher de quarenta com filho adolescente problemático e um marido que me bate, eu não posso fazer nada além de aguentar pelo bem de todos. Sinto falta de não sentir o peso do mundo em minhas costas, de sair de mim e dar gargalhadas das coisas mais idiotas possíveis, de ficar ouvindo música com o volume no máximo, volume no máximo, mas que inferno comecei a pensar em física e em acústica, o que tem de errado comigo?! Eu sempre odiei exatas, sempre fui a melhor aluna em história, nunca nem estudei pra português e sempre tirava nota, agora tudo inverteu!!!! Isso é um pesadelo, não é possível. Eu sou muito nova pra viver tudo isso, sou muito nova pra ser responsável demais com a minha vida, de ter que deixar todo mundo orgulhoso e lidar com o fracasso porque eu nunca vou conseguir alguma coisa como isso! Sempre me ferrei por ser a boazinha, os bonzinhos só se fodem, eu sempre soube disso, mas como eu vou virar a malvada? Eu não sei sequer como agir, vou ser má educada? Vou desonrar minha família? Vou humilhar meus amigos?! Isso não sou eu! Eu não quero ser lembrada como a louca que fez isso tudo, eu não posso suportar alguém me olhando com ar de desaprovação, eu me sinto mal, muitas vezes eu não consigo lutar contra isso ou então eu dou desculpas, eu abaixo a cabeça, não luto pelo o que eu penso! Que tipo de perdedor eu sou?
Não tenho mais minhas suposições espertas, nem meus comentários inteligentes, eu estou cada vez mais decaída, eu não gosto do que eu sou agora! Eu não sou mais a Maiza, não a Maiza que eu sempre fui, eu não sou mais a Maiza que passa por tudo e deixa tudo de lado pra deixar tudo bem, que prefere alguém que me maltrate ao meu lado a ficar sem ninguém e o pior disso tudo é que quem tá do meu lado e não me faz sofrer acaba sofrendo com isso, porque eu não consigo ser agradavel mais e eu já não sei o que fazer, tudo por causa dessa maldita necessidade de agradar todo mundo e de não ser eu mesma, porque eu sei que eu mesma sou muito mais complicada e infeliz do que a Maiza e sua política de boa vizinhança.
Eu falei disso com o meu psicólogo, cheguei a conclusão que é exatamente esse o problema, eu não me encontro mais, não posso ser a Maiza da boa vizinhança e nem a Maiza ela-mesma, as duas não servem mais, eu não posso conviver em harmonia com elas, uma me faz infeliz e a outra mais ainda, não quero pensar que são essas as minhas opções, não posso aceitar que ser menos infeliz seja a melhor escolha, não… eu não posso entender isso, não posso compreender.
Eu to tão cansada, tão cansada de tentar me entender e achar um jeito de conviver com os outros e comigo de uma forma aceitável que a cada vez mais eu penso que eu não vou achar, que talvez seja assim que eu sou mesmo, ah.. Meu deus. O que eu vou fazer agora?
Volto a ser a Maiza da boa vizinhança, que é amiguinha de todo mundo, que gosta de mundo, que não fala o que pensa, que ajuda os amigos filhos da puta que além de serem ingratos e nunca fazerem o mesmo, ainda viram o jogo e me deixam como a malvada da história?! Ou sou a Maiza ela-mesma que além de fazer comentários sarcásticos e de péssimo gosto, não fazer questão nenhuma de ser agradável e ter problemas com Deus e com o mundo, ainda é exatamente o que ela não quer ser?!
Espero que isso seja uma crise de identidade passageira e que amanhã eu esteja menos explosiva.
O que você tem? Minha mamãezinha querida me pergunta, eu tenho tudo mãe, tudo na minha cabeça pra resolver pra ontem!
Tem gente que não entende, acha que é doce, que é frescura, eu só tenho uma coisa a dizer pra essas pessoas: vão todos à merda, não preciso de vocês, quero que fiquem pior do que eu, três vezes! Elas acham, queridos leitores, que porque nós temos uma comodidade econômica e social, a vida é fácil. A vida não é fácil pra ninguém, merda! Isso não tem nada a ver com os outros, tem a ver comigo, tem a ver de não conseguir mais ter a minha identidade!… Senhor, era tão fácil, eu tinha várias identidades se quisesse, eu era mais dissimulada, eu vivia melhor, mas agora, eu não consigo, eu sou sincera demais comigo, eu sou rígida demais comigo, eu não me permito falhar de modo algum, eu não posso viver com erros, mas isso é completamente inadequado, meu deus, todo mundo erra na vida, todo mundo vive com isso, por que eu tenho que ser a filha perfeita, amiga perfeita, namorada perfeita e não pelos outros, mas por mim que não aceita menos do que isso, que tem essa adoração por excelência, essa neurose de não falhar e dar o melhor de mim pra tudo e todos até pra aqueles que não merecem e não devem receber?! Por que eu tenho que ser a melhor em tudo e ser a líder até meio subjetiva de tudo que eu faço?! E cada vez que eu tento eu falho e falhar me deixa decepcionada, me deixa com raiva, com ódio, não dos outros, mas de mim, por ter sido tão estúpida, tão ingenua, tão infantil e tão… imperfeita.
Eu não vejo salvação, não sei como esse dilema todo pode acabar bem, não vejo um futuro bom pra alguém que está na mesma situação do que eu, na verdade, eu não vejo futuro… É como se eu fosse continuar assim pra sempre. Mas não, no meio desse batalhão de sentimentos tem que ter alguma coisa boa, é a esperança de que eu vou ser alguma coisa que eu goste no futuro, alguém que eu goste, que me orgulhe, que eu posso conviver pelo menos.